Startups gonzo: cada época tem os chapados que merece
Nos anos 70, havia o jornalismo gonzo, vertente ácida do chamado new jornalism. Basicamente, era uma tentativa de levar os repórter a experimentar diretamente aquilo que noticiam, para encontrar enfoques inusitados e mais agudos da realidade. O dono da patente era o norte-americano Hunter S. Thompson, um usuário contumaz de drogas, que se suicidou há alguns anos. Para muitos analistas, as substâncias alucinógenas tiveram um papel fundamental no seu trabalho. Não sou exatamente um partidário dessa opinião, mas em breve um documentário sobre a vida do jornalista vai ajudar a entender melhor o que o movia.
De qualquer forma, em algum grau, o consumo de drogas ilícitas sempre esteve presente nos ambientes jornalísticos e, claro, nos corporativos (desde o ópio no século 19). Agora assume características cada vez mais médicas. O blog TechCrunch, um dos mais importantes do mundo na área de tecnologia, reportou que o uso de drogas estimulantes como o Provigil está se tornando perigosamente comum entre os empreendedores do vale do Silício.
Funcionários e donos de startups - micro empresas de tecnologia - relataram ao blogueiro Michael Arrington casos de ingestão da droga para fins recreativos ou para manter o ritmo frenético dos workaholics da web 2.0. Doses regulares podem manter uma pessoa acordada por até 20 horas por dia, mas estudos com militares mostraram que esse valor pode subir para 88. O próprio Arrington já declarou que vive praticamente escravo de seu computador, em busca da última novidade da informática e que estava num ritmo insustentável.
É mais um caso em que tecnologia e produtividade beiram a insanidade. Num ambiente como esses, experiências como a do editor do blog Unclutterer - que limitou seu uso do laptop a apenas o tempo de duração da bateria - parecem ter vindo de outro planeta. Alô, Mulder & Scully estão na escuta? A verdade está lá fora.
enviada por eduf
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