Como escrever para quem não quer ler
Se você não levar o fenômeno a sério demais, uma das coisas mais divertidas da web hoje em dia é essa profusão de autores de auto-ajuda on-line.
Quer dizer: gente que compartilha experiências e conhecimentos usando uma linguagem motivacional / publicitária que ficou popular em livros de consultores como Peter Drucker. "Como fazer isso e aquilo", "sete estratégias para X ou Y". Ou textos com títulos non-sense chamativos como "A Vaca Roxa" (que parece até coisa do escritor Campos de Carvalho).
Preste atenção!
Esse tom de manifesto se tornou uma espécie de resposta para a fragmentação da atenção na web. Pesquisas indicam que temos em média apenas 4 segundos para despertar a atenção de uma pessoa.
Se você chegou até aqui, significa que já temos uma relação diferenciada. A maioria foi embora na segunda linha do texto. Assim, o escritor que depende de pageviews para sobreviver, não só precisa aprender a ser conciso, como também a ser enfático.
Sua vida vai ser salva no próximo parágrafo
Aos poucos, escrever em tom de manifesto acaba se tornando uma diversão. Como por exemplo, o ebook Freak Factor, de David Randall. Ele traz o mesmo tipo de conselho que sua avó daria - "não importa se você é meio maluco ou estranho, não importa suas limitações, e sim como você as usa a seu favor". A diferença é a eloquência e o tom de urgência do texto.
A fórmula básica:
- Títulos e subtítulos fortes.
- Parágrafos curtos.
- Muitas listas e bullets.
- Cada parágrafo parece ter uma conclusão fundamental.
Já cansou?
Em pouco tempo o formato de manifesto deve se desgastar. No mundo conectado, cada vez nos entediamos mais rapidamente.
Mas, por enquanto, a auto-ajuda on-line ainda rende bons risos e alguns conselhos úteis. Basta não ter preconceito com a empolgação alheia. Ela é o reflexo de uma triste realidade na qual o tédio é mais temido do que a falta de conteúdo.
enviada por eduf
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