07/03/2008 23:03

Perder o chão às vezes pode ser saudável

"As idéias que possuímos são capazes de nos possuir".
Edgard Morin

Durante minha carreira, trabalhei muito tempo como designer. É uma das profissões mais difíceis de suportar quando se é muito vaidoso ou apegado às próprias idéias. Você precisa constantemente ver seus trabalhos massacrados e/ou modificados por forças maiores (dinheiro, clientes, condições técnicas).

Pensando bem, em algum nível, quase todos meus empregos foram um exercício de renúncia. Felizmente. Porque uma das coisas mais torturantes que pode existir é a incapacidade de relaxar quando se é contrariado.

Basicamente, acreditamos que "temos idéias". Mas são elas que nos controlam. Pensamos que as coisas deveriam ser do "nosso" jeito. Mas o que isso significa?

1. Uma série de reações químicas no cérebro, mudando a todo momento e sendo influenciada pelo ambiente?

2. Conceitos que nos foram impostos durante a educação ou durante o convívio com outros? Os quais nem percebemos direito que obedecemos?

3. Coisas que aprendemos com muito custo e que agora assumimos inconscientemente como valores, só porque achamos que precisamos estar apoiados em algum grupo social, moda ou estilo de vida?

É muito difícil ter flexibilidade diante das idéias. Quantos empregos abandonados, pessoas ignoradas ou repelidas por conta de palavras que nem temos certeza do que significam.

Quando somos contrariados, geralmente entramos numa espécie de pânico anestesiado. Perdemos o chão. De repente, prova-se que aquilo que achamos tão fundamental não faz o menor sentido para outra pessoa.

Esse é um dos momentos mais importantes das nossas vidas: mostra que não precisamos de um chão completamente sólido, fixo. Sabemos dançar, só estamos atrofiados pelo hábito e pelo medo.

A vida é abertura, possibilidades. E isso é ao mesmo tempo prazeroso e completamente assustador. Por isso é mais fácil ficar com raiva e criar conspirações: você não faz parte do meu grupo, essa situação não é para mim. Corra, Forrest, corra.

Afinal, quantos de nós conseguem ser flexíveis, maleáveis… livres?

enviada por eduf






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Por Eduardo Fernandes, jornalista e consultor de projetos web. Mais >

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