Desistir nem sempre é ruim
Se você acompanha o noticiário de tecnologia, já deve saber que Bill Gates fez um vídeo humorístico sobre seu "último dia" na Microsoft (acima). Mesmo que ele esteja incomensuravelmente rico e sem a mínima necessidade de trabalhar formalmente, imagine o que deve ser sair de uma companhia que você fundou e à qual se dedicou integralmente desde os 17 anos de idade. É bom ver que ele fez isso com uma certa auto-ironia e sem se levar a sério demais.
Apesar dos problemas dos produtos da Microsoft, não há dúvidas de que Bill Gates fez um trabalho revolucionário ao popularizar a informática e ajudar na nerdização do mundo. De certa forma, foi o responsável por nós hoje podermos comprar laptops no supermercado, em prestações. Bem ou mal, Gates provavelmente teve um impacto social tão grande quanto um Gutemberg ou Lutero. E, assim como estes, não está livre de polêmicas e histórias obscuras de bastidores.
Não cabe aqui especular sobre os motivos e contextos da aposentadoria de Gates, nem mesmo fazer julgamentos morais sobre sua história. Mas perceber que mesmo alguém da sua importância tem de saber quando e como parar. Sair de campo é tão importante quanto saber entrar. Há projetos, parcerias, comportamentos e relacionamentos que se tornam verdadeiros zumbis, comendo seu cérebro e impedindo que sua visão se renove.
Às vezes, parar é um ato de generosidade para todos os envolvidos. Afastando a comodidade, forçando novas perspectivas, você pode fazer todos à sua volta crescerem. Além do que a mudança é um processo natural, que ocorre em muitos níveis. Nossas células morrem todos os dias, nossas idéias mudam sutilmente a toda hora. E quando um ciclo se fecha, é hora de saber dizer: "ok, deu. Vamos para a próxima fase".
O guru do marketing online, Seth Godin, escreveu um livro sobre isso: The Dip: A Little Book That Teaches You When to Quit (and When to Stick). É mais um daqueles textos que as editoras brasileiras ignoram. Felizmente, é possível encontrá-lo na web, em inglês, versão ebook.
Nele, Godin explica seu conceito de "saída estratégica": quando abandonar um projeto pode ser um passo importante para consolidar novas possibilidades. Também ensina a identificar situações que obstruem a vida e sugam energia que seria útil em outros contextos. Como ele diz: ganhadores desistem e aqueles que desistem também podem se tornar ganhadores. Vale a pena conferir.
E boa aposentadoria para Bill Gates. Ele não precisa tentar ser Steve Jobs. Já fez sua parte. E pelo menos não depende do INSS.
enviada por eduf
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