18/12/2007 23:08

Problemas são velhos amigos

Há alguns dias, disse que ia contar algumas das aventuras do meu período no Templo Odsal Ling, onde decidi morar por algum tempo. As novidades não são exatamente boas para um geek. Estou conectado a partir de um laptop usando Vivo Zap. A 70 kbps. A sensação é a de estar preso numa bolha, em câmera lenta, sem conseguir trabalhar. Estamos próximos da cidade de Cotia, em SP, e nada funciona direito.

Você já deve ter enfrentado situações nas quais muitas coisas dão errado ao mesmo tempo. Parece que se juntam camadas de problemas, que se interconectam. Os budistas têm um nome para isso: sofrimento que tudo permeia. Minha experiência pessoal desse tipo de momentos é a de completa exaustão. Sua lógica não funciona, o corpo parece que quer ter uma explosão elétrica e o humor vai pesando cada vez mais. Mas o surpreendente é que, num certo ponto, me canso de surtar e fico absolutamente tranqüilo, sem tagarelice mental.

Estamos nessa de antropocentrismo há milhares de anos, então achamos que o mundo tem que fazer sentido. Quando aparece a frustração, é como se tivessem nos enganado. Nós deveríamos estar felizes. Algo está errado com o universo. Mas a verdade é que, não importa o que façamos, por mais que tentemos domar o mundo ao nosso redor, ele não se curva aos nossos conceitos. Ele não foi exatamente projetado para nós, para que instalássemos em cada esquina uma Starbucks e um ponto de internet grátis.

Deveríamos estar absolutamente acostumados com o fato de que as coisas vão dar errado. E que não há um jeito ideal de estar preparado para isso. Desde nossos tatara-tatara-tatara-tataravós australopitecos, esse é o dia-a-dia: enfrentar adversidades. Mesmo assim, no mundo de hoje, cada vez mais ficamos surpresos com elas. E paralisados, porque toda nossa energia está voltada ao hábito da autocomiseração e da reclamação.

Agora, conectado a 140 kpbs (já melhorou), tento lembrar que tanto o pessimismo quanto o otimismo são tentativas desesperadas de controlar a realidade. E muitas vezes inflexíveis. A felicidade pode ser o pesadelo de amanhã e vice versa. Problemas são apenas mais um processo na vida. Como comer, dormir, respirar. Velhos amigos incômodos mas, de algum jeito, professores.

Aprender a relaxar diante disso é um exercício diário. Como malhar. No começo é duro vencer a preguiça. Depois, vem o prazer.

enviada por eduf






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