22/10/2007 14:47

Você consegue se concentrar?


Garry Kasparov, o mago da concentração, que enfrentou várias vezes o computador Deep Blue no jogo de xadrez.

Ao contrário do que se diz, não acho que vivemos num mundo rápido demais, com excesso de informação. Certamente há um maior consumo de conceitos, textos e imagens, produzidos e vendidos a cada segundo. Mas o problema não é exatamente a quantidade e a velocidade deles.

Se você se sentar sozinho numa montanha isolada, perceberá outra espécie de balbúrdia: sons de pássaros, animais, formigas mordendo seus pés, mosquitos, vento etc. Lembro-me de um documentário sobre a Amazônia cujas imagens pareciam ter um permanente chuvisco. Não era um problema técnico e sim insetos passando pela lente da câmera. Milhares por segundo.

Durante a Evolução, o cérebro criou jeitos bastante eficientes de lidar com isso: a concentração e a percepção seletiva. Sempre houve "excesso" de informação, mas, de modo geral, somos capazes de ignorar o que é secundário e dar atenção consciente só ao que interessa no momento. Falei um pouco sobre isso num Rádio Magaiver.

Então por que parece que estamos tão perdidos e sobrecarregados com a informação?

Outras culturas em outras épocas pensaram coisas parecidas. Tanto que há registros de exercícios de concentração datados de mais de 3 mil anos. De alguma forma, um eremita na Índia há mil anos antes de Cristo também poderia se considerar desatento, sobrecarregado, infeliz. E dedicava várias horas do dia para se "curar" disso.

É claro que há muitas distinções históricas a se fazer aqui. Mas o principal é entender que a idéia de que precisamos simplificar a vida não é nova. Nem fácil de implementar.

Por isso não podemos assumí-la de um modo ingênuo. Não adianta tentar se isolar dos problemas. Você ainda terá que dar conta de uma quantidade absurda de tarefas. Podemos nos focar no essencial. Mas isso não é o suficiente.

Tal como o nosso ancestral indiano, vamos precisar ensinar nossos corpos e mentes a ser mais flexíveis e ter mais tranquilidade frente aos problemas. E isso só se consegue treinando a concentração, que é um passo básico para outros mais elevados.

Às vezes parece que o cérebro não nos obedece, que não pára de pular de lá para cá, sem destino. Isso não é criatividade. Pelo contrário, é rigidez. De que adianta ter novas idéias se não conseguimos usá-las, porque nos falta o básico, o autocontrole?

A boa notícia é que há inúmeras técnicas de treinamento da concentração: de certos tipos de meditação a até videogames e jogos.

Pretendo fazer um vídeo sobre isso e postar aqui. Mas se você lê em inglês e quer ir começando a treinar, siga estes exercícios.

A fórmula é simples:

1. Concentração é um exercício como qualquer outro. Quanto mais fizer, melhor será o seu "desempenho".

2. No início, não importa tanto permanecer concentrado, mas sim ser capaz de voltar rapidamente ao foco quando ele escapar.

3. Seja regular, faça exercícios todos os dias.

4. Não se cobre demais. Geralmente o processo é lento mesmo.

Não adianta querer desligar o mundo. Você é que precisa saber se conectar a ele quando achar que deve.

enviada por eduf






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Por Eduardo Fernandes, jornalista e consultor de projetos web. Mais >

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