15/10/2007 13:15

Uns tem o sexo tântrico, outros o corporativo

"Você fica tão sensual com esse modelo K48JX-766-30L..."

" 'É normal', perguntou uma das minhas pacientes com toda a sinceridade, 'meu marido deixar o celular ao nosso lado quando fazemos amor?'. No momento em que essa mulher disse que não estava certa se o comportamento do marido era inaceitável, ou louco, tive certeza de que tínhamos criado um novo mundo. Se receber e enviar mensagens pode ser tão importante que nada pode atrapalhar, nem mesmo fazer amor, e se um parceiro íntimo pode duvidar se tem direito de se aborrecer com a intrusão do celular no seu quarto, vejo que o mundo novo enlouqueceu com esse vício de mensagens".

O texto acima está em Sem Tempo Para Nada, de Edward M. Hallowell, neurologista especialista em Transtornos de Atenção. Impossível deixar de lembrar dos nextéricos. Quer dizer, pessoas que ficam praticamente 24 horas por dia ligadas a um Nextel, um desses celulares que fazem comunicação interna em empresas. Na verdade, veio imediatamente à mente o som característico emitido por esses telefones.

Conversar com um nextérico é quase como assistir TV: o assunto está fluindo e de repente *blip*, vamos aos comerciais. Você arranja uma garota na firma e quando a coisa esquenta, *blip*, tem que rebobinar-se. É como ver vídeos na internet, no formato Real ou Windows Media: enquanto um dos parceiros atende ao chamado, você fica ali, buffering. Mais um pouco. Buffering. Uns têm o sexo tântrico, outros o corporativo.

Mesmo que você esteja fora da empresa e o expediente tenha terminado, o trabalho está cada vez mais onipresente. Como lidar com isso? Estabelecendo limites e comunicando-os com clareza. Das chamadas que recebe por dia, quantas são realmente necessárias? Quantas vezes você está realmente trabalhando? Quantas atende apenas para parecer que está sempre disponível ou que é eficiente? Você acostuma as pessoas a dependerem de você o tempo todo? Tira delas a oportunidade de aprender? Ou tem medo de ser considerado dispensável?

Que preço paga por isso?

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Baixe um trecho de Sem Tempo Para Nada.

enviada por eduf






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Por Eduardo Fernandes, jornalista e consultor de projetos web. Mais >

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