Trabalhando e sumindo de vez em quando
Não são só as séries de TV que vêm lucrando com a idéia de temporadas. Quer dizer, a de criar coisas que já nascem com uma data mais ou menos certa para morrer. Muitas empresas, em especial as de alimentícios, lançam edições limitadas ou temporárias de seus produtos.
Há uma lógica bem útil nisso. A da expectativa e do descanso: apareça, suma, renove-se, resgate o que deu certo. Esses são alguns dos fatores que ajudaram a sedimentar o sucesso de Lost, 24 Horas, Heroes etc. Durante um certo tempo, os produtores é que trabalham. Depois, são os próprios fãs, praticamente espontaneamente, comentando os episódios antigos ou criando hipóteses sobre os próximos.
É possível aplicar essa lógica a diversos tipos de produtos: blogs, música, livros (a volta do folhetim), vídeos, podcasts etc. Aliás, bandas sempre fazem isso: lançam um disco e atrelam a ele a turnê e o material promocional. Em seguida, entram "em férias".
Em vez de lançar um programa de rádio, criam-se 10 episódios. Se a idéia pegar, continua-se. É perfeitamente aceitável ficar fora do ar durante meses ou até anos e depois retomar o projeto com um novo conteúdo. Se o produto realmente conseguiu criar uma relação com as pessoas, não será completamente esquecido. Antes, ganhará com algum tempo de sumiço: "aquela época era melhor", "tal serviço faz falta".
Temporadas facilitam o planejamento, fazem repensar conceitos e mostram que as coisas têm ciclos naturais de nascimento / morte e renascimentos. Toda captação de recursos e de idéias se renova, além de se criar expectativa. Quando acontece o desgaste natural, tira-se o programa do ar. Depois pode-se voltar atrás.
Para que ser tão linear e ficar preso a um projeto até que ele se torne um peso insuportável?
enviada por eduf
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