O que Burma pode ensinar sobre lidar com o sofrimento
Contribuindo com a campanha mundial de blogueiros para chamar atenção para os problemas em Burma / Mianmar.
Desde a invasão da China ao Tibete, os budistas foram chamados a dar um testemunho público das suas convicções. Não só do pacifismo e da paciência. Mas principalmente da sua visão, que tenta ir além dos fatos presentes, por mais trágicos que sejam.
Cedo ou tarde, vamos perder tudo aquilo a que nos apegamos. Se não for pelas mudanças naturais da vida, será pela morte. Por mais que haja um esforço cultural para evitar pensar nisso, a verdade é que nossos cotidianos são permeados por micro "invasões a Burma" e decepções. Um emprego perdido, um parente que morre, uma idéia que muda, um amor frustrado. Por menor que pareça, esse movimento causa verdadeiras tragédias cotidianas.
E como medir o sofrimento? Pela destruição física? Há quem sofra tanto ao ver o cheque especial estourado quanto um monje ao reconhecer amigos assassinados. E tente convencer a pessoa de que uma coisa é menos importante que a outra.
As duas situações podem parecer radicalmente diferentes, mas no fundo ainda lidam com o fato de que ninguém está livre da impermanência e do sofrimento - que nos atingem todos os dias, de todas as formas imagináveis.
Em tese, o monje de Burma sabe que seu sofrimento de agora é um entre milhares de outros que já viveu e que potencialmente viverá. Histórias de terror dentro de uma longa narrativa. Sabe que o soldado que puxa o gatilho quer as mesmas coisa que ele: ser feliz, evitar a dor. E que também comete erros gravíssimos para tentar atingir esses objetivos.
Assim, mesmo que nós conseguíssemos solucionar todas as questões políticas, o "bug" da mente que as causam ainda continuaria a influenciar nossos rumos. Difícil reconhecer isso quando o cano está na sua testa. Mas, acredite, há quem consiga. A história do Tibete está cheia de exemplos.
Então o que resta fazer? Tornar sua resistência não só pontual, mas uma ação de longo alcance. Não basta lutar contra militares. É preciso mostrar ao mundo que pagar na mesma moeda é fazer parte do problema e não da solução.
E que a ordem assassina do general sai do mesmo tipo de estrutura que chora pela morte: a mente. É principalmente ela que precisamos investigar. Se quisermos ir além dos paliativos do ativismo político.
enviada por eduf
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