Como lidar com gente enrolada
Hoje em dia está cada vez mais difícil de escapar de gente enrolada. Quer dizer, aquele tipo que se confunde com os próprios processos, liga três vezes para pedir a mesma coisa (e, quando a consegue, perde-a ou esquece onde a colocou), se contradiz nas mentiras, refaz as tarefas inúmeras vezes, nunca sabe em que passo está um trabalho e por aí vai.
Há alguns anos, trabalhei numa empresa pequena que sonha bem grande. Assim, eu gerenciava sozinho um número insano de projetos. Naquela época, não tinha um sistema para conviver saudavelmente com aquilo. Pior: tinha que responder diretamente ao dono e líder carismático do local. Ele costumava dizer, sarcástico: "Dá para colocar sons no e-mail? Porque quando chegar um da sua equipe eu quero que toque o tema de abertura dos Trapalhões".
O comentário me irritava profundamente - eu era tão inseguro que não tinha senso de humor. Mas a situação foi bem útil para me dar conta do ridículo que um Enrolado causa no mundo. Além do desgaste que ele provoca nas relações pessoais e profissionais. Ter um sujeito assim na equipe pode afastar clientes e parceiros facilmente.
Os sintomas
O enrolismo e sua linguagem, o enrolês - as inúmeras desculpas e justificativas que surgem para tentar não dar na cara a falta de profissionalismo ou de organização -, são sintomas de alguns problemas muito graves, que se interrelacionam:
1. Falta de um processo claro e confiável de organização.
2. Excesso de burocracia no lugar de flexibilidade e transparência.
3. Falta de interesse no que se está fazendo.
4. Sobrecarga de trabalho. Ou real ou psicológica (a pessoa acha que tem coisas demais para fazer, mas nem sabe exatamente quais são as tarefas. Sofre por antecedência).
5. Muitas distrações no cotidiano, levando à procrastinação ou a gerenciar a rotina no piloto automático, defendendo-se das bombas quando elas estouram.
6. Falta de comunicação entre as diversas partes envolvidas nas decisões.
O que fazer?
Assim, seria fácil recomendar coisas como demissão ou roundhouse kick, à Chuck Norris. Mas é preciso perceber que hoje todos podemos acabar virando Enrolados. Se você é um, admita para si mesmo e tente mudar, adotando um sistema de organização pessoal que lhe agrade. Eu me dou razoavelmente bem com o Get Things Done, de David Allen. Mas vai da personalidade do freguês.
Como ainda não criaram os Enrolados Anônimos, você vai ter que continuar convivendo com eles. Então siga essas dicas:
1. Tenha compaixão e paciência.
2. Ao mesmo tempo, não dê mole. Cobre. Com educação, porém insistência. O Enrolado vai querer se livrar de você rapidamente.
3. Documente toda e qualquer conversa que tiver com ele. Seja organizado, para não dar margem a furos de ambas as partes.
4. Se tiver um acesso natural e informal aos superiores dele, avise que a situação está empacada. Não com a motivação de deixar o Enrolado desempregado, mas de evitar que no futuro ele se atrapalhe mais e acabe destruindo a própria vida profissional.
***Ninguém aqui está dizendo para fazer fofoca e puxar o tapete dos outros, mas de avisar o chefe de que algo no departamento pode não estar indo bem. Pode ser o processo, a comunicação e não o Enrolado em si. E inclusive ele deve saber disso e pode estar inseguro de comunicá-lo aos superiores.***
5. Evite trabalhar com empresas e pessoas enroladas. Elas são verdadeiros sugadores de tempo e energia. O mercado é vasto, tente se encontrar em outros lugares. Cedo ou tarde o enrolismo vai influenciar sua qualidade de vida e de trabalho.
enviada por eduf
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